Lá se foi o Ziraldo. Ao longo dos seus, bem vividos, 90 anos, foi embora. Partiu para o andar de cima. Missão cumprida e comprida. Longeva essa missão. Cumpriu com garbo, elegância, criatividade e sensibilidade. Fez e faz muitas crianças e adultos sorrirem com os seus personagens. Os personagens pareciam nossos amigos de longas datas. Impressionante essa, de muitas, características. Nascido nas Gerais – Caatinga – Ziraldo começou a ser conhecido, salvo engano, no início dos anos 60 com a revista “ A turma do Saci Pererê”. Continuou a sua trajetória com seus personagens, cada dia mais sintonizado com a vida, alegrias e tristezas das crianças. O menino Maluquinho é uma obra fantástica, virou filme. Assim era Ziraldo. Durante o regime brasileiro de exceção, através do “Pasquim” juntamente com outros companheiros de sincera relevância, formou-se a barreira de resistência à censura. Foram muitas vezes censurados. Mas, nunca desistiram. Fibra deveria integrar o seu sobrenome. Fidalguia, respeito, talento dentre outros tantos. Assim era o Ziraldo. Recordo-me que durante o enterro de um amigo nos anos 90 – na Bahia – no instante final, um conviva, ao demonstrar a sua ira com quem levara nosso amigo defunto, sapecou, como um legítimo ateu: – “ Como pode existir um Deus, que leva nosso amigo e deixa tanta gente que não presta nessa terra?” Bem, discussões à parte, de uma maneira popular, cá prá nós, ele tem uma certa razão. Natural que o seja. Nesse particular, sapeco de cá: “ Que maluquice tirar Ziraldo de nós! Obrigado, Ziraldo. Valeu!
Obs. Ateu é aquele(a) que não crê em Deus ou nos Deuses! ( Dicionário Oxford)
Au revoir!
Carlos Magno Vieira