Crônica

IGUARIA BAIANA

Falar em culinária baiana é um tiro certeiro. Gostar, então, nem se fala. Muitos acham pesado falar no tempero da Bahia. Acarajé, Efó, moqueca de frutos do mar, individual ou coletivo, tem lá o seu sabor e cheiro. Volta e meia sou convocado para preparar algum tipo de ensopado. Camarão, algum marisco, peixe com molho de camarão, enfim, sempre estou atento. Em alguns casos, replico o que o velho Caymi largou lá trás: “ Quem quiser vatapá, que procure fazer…”. Não vou e não faço. Cozinhar tem que ter a energia de quem o faz, de onde e para quem se faz. Energia para receber tal iguaria, não é para qualquer um. Infelizmente. Esse fim de semana aceitei a convocação do casal 20 – Reijane e Lucia. Casal expert em receber. Receber em casa é uma outra arte, não é para todo mundo. Renatinha e eu, fomos ao encontro do casal 20. Prometi um ensopado de camarão sem dendê. Aqui em Brasília não tenho hábito de cozinhar com dendê. A uma, não tem aqui um dendê da flor, como se diz na Bahia, ou seja, o natural. Muito encorpado e saboroso, prefiro somente com leite de coco. A minha panela de barro era novinha, não havia inaugurado ainda. Devidamente queimada com farinha, sapequei os temperos seguido de camarões já fervidos com leite de coco. Não deu outra. Acertei a mão. Todos gostaram e, pediram bis. O fato é que, o regionalismo da culinária, mesmo sendo feito em outra região, nos trás as memórias agradáveis de nossas origens, família e colecionamos momentos novos e passados. Vale conferir. 

Au revoir. 

Carlos Magno Vieira