Diante do cenário regulatório e social que impõe novas dimensões à gestão, urge a pauta do assédio moral e a nova consideração sobre os riscos psicossociais, como um complexo ecossistema, que demanda uma visão estratégica e integrada da liderança no ambiente corporativo.
A LGPD transformou dados pessoais em ativos valiosos e, ao mesmo tempo, em responsabilidades críticas. No ambiente institucional, cada informação do colaborador – desde o processo seletivo até mesmo após o desligamento – deve ser tratada com bases legais sólidas, finalidade clara e, acima de tudo, segurança. Em paralelo, o assédio moral emerge não apenas como uma chaga social, mas como um risco operacional de alto impacto, corroendo o bem-estar, a produtividade e a reputação corporativa. Campanhas de conscientização e canais de denúncia robustos são apenas a “ponta do iceberg” de uma cultura que precisa ser proativa contra tal conduta.
Nesse diapasão, a nova obrigatoriedade do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), amplia a segurança e saúde do trabalho para além dos perigos físicos, inserindo os riscos psicossociais na agenda da alta gestão. O assédio moral, indiscutivelmente, se posiciona como um desses riscos, exigindo identificação, avaliação e controle sistemáticos.
A grande questão reside na intersecção desses pilares. Como investigar uma denúncia de assédio – que pode envolver o tratamento de comunicações ou dados de desempenho – sem violar a LGPD? Como garantir a proteção de dados sensíveis dos colaboradores no mapeamento de riscos do PGR, enquanto se assegura transparência e confidencialidade?
A resposta reside em uma abordagem metodológica e coesa. Não se trata de escolher uma prioridade, mas de construir uma governança integrada. Isso implica em políticas internas que harmonizem proteção de dados com ética comportamental, em treinamentos que capacitem líderes para um ambiente psicologicamente seguro e em canais de denúncia que garantam sigilo e imparcialidade.
A tecnologia, sem dúvidas, é uma aliada fundamental. Ferramentas de automação e IA, podem otimizar a gestão de conformidade, a documentação do PGR e a análise de dados (anonimizados e pseudonimizados, quando possível) para identificar padrões de risco, transformando desafios regulatórios em inteligência estratégica.
Em suma, a proteção de dados, o combate ao assédio e a gestão de riscos ocupacionais não são meros custos de conformidade. São investimentos estratégicos na integridade do seu capital humano, na resiliência da reputação e na sustentabilidade do negócio. Ao integrar essas dimensões, as instituições não apenas cumprem a lei, mas constroem um ambiente de trabalho mais humano, produtivo e inovador.
Por Mariana da Silveira (Colaboradora – Especialista em Tecnologia Informação)
Veio em boa hora essa Campanha promovida pela Justiça do Trabalho de âmbito nacional. É importante informar para prevenir a ocorrência desse tipo de assédio. Melhor ainda, é fiscalizar para poder punir com rigor aquela gestão pública ou privada que, além de não fazer Campanha específica, se omite para não identificar e punir os envolvidos.